“Gráfico Planificado da Violência” na mídia

Intervenção do bailarino Fernando Lopes, que conta com realização do Sesc Campinas e produção da Arte & Efeito, tem repercussão na mídia da cidade. Leia a matéria.

Do Correio Popular

Intervenção urbana atrai curiosos e alerta para violência

Centenas de pinturas na calçada da Praça Guilherme de Almeida, em frente ao Palácio da Justiça, no Centro de Campinas, intrigaram aqueles que diariamente passam pelo local

23/09/2015 – 20h24 – Atualizado em 23/09/2015 – 20h26 | Gustavo Abdel
gustavo.abdel@rac.com.br

Olhares curiosos, desconfiados, e muitas teorias. As centenas de pinturas na calçada da Praça Guilherme de Almeida, em frente ao Palácio da Justiça, no Centro de Campinas, intrigaram aqueles que diariamente passam pelo local.

Desde segunda-feira, quando ocorreu a intervenção urbana feita por um grupo de jovens artistas e voluntários, não se fala em outra coisa na área central. Vistas de cima, as silhuetas impressionam pela quantidade, e causam justamente a impressão que o idealizador Fernando Lopes quis passar para a sociedade.

O projeto se chama Gráfico Planificado da Violência, ou seja, são silhuetas pintadas com tintas brancas como nas perícias criminais da polícia científica. A intervenção aconteceu como parte da programação da Bienal Sesc de Dança, que ocorre na cidade até o próximo domingo.

As pinturas simbolizam o grande número de mortes violentas que ocorreram em 2011, na região metropolitana de Salvador. Desde então essa “impressão” no espaço urbano é levada para as cidades brasileiras.

O engraxate Antônio Peres, de 80 anos, há 23 anos naquele ponto da praça, aceitou de corpo e alma a brincadeira e ao lado da sua cadeira deixou sua silhueta gravada na calçada. “Uma juventude bonita que alegra o coração da gente”, disse. O significado ele não se importava muito, mas sim com a “brincadeira” que participou, e que envolveu aproximadamente 20 voluntários.

O morador em situação de rua Ricardo de Melo Alves, de 26 anos, também entrou na intervenção urbana e deixou sua marca impressa na calçada, em frente ao Palácio da Justiça. “Lembra alguma coisa sobre violência. No dia não explicaram, somente saíram pintando”, disse.

Já as colegas Cleide Leandro, de 60 anos, e Maria Vilma dos Santos, de 55, passaram olhando pela praça na manhã de ontem perguntando uma para a outra o que significavam aquelas pinturas. “É uma forma de protesto, com certeza”, apostava Cleide. “Eu participaria se fosse agora”, emendou Maria Vilma.

A ideia dessa intervenção urbana, conforme divulgação do evento na página oficial da Bienal, usa da sensação de insegurança presente em centros urbanos como ponto de partida para a construção de uma performance de dança mesclada com idéias de land art — intervenções artísticas de grandes dimensões em áreas urbanas ou naturais.

O estudante de filosofia Murilo Salvador, de 22 anos, fotografou a intervenção artística na praça e disse que as imagens integrarão um projeto que está fazendo sobre imagens urbanas. “É impactante ver tantas silhuetas ao mesmo tempo, por que parecem corpos. E curiosamente foram pintados em frente ao Palácio da Justiça”, avalia.

O AUTOR

Formado em Dança pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Fernando Lopes atua como artista na cidade de Salvador desde 2008, realizando intervenções urbanas e trabalhando na articulação entre a performance, a dança contemporânea, o audiovisual e a fotografia. Ele participa do Grupo X de Improvisação em Dança, na qualidade de dançarino e produtor.

 

Fonte: http://correio.rac.com.br/_conteudo/2015/09/capa/campinas_e_rmc/384908-intervencao-urbana-atrai-curiosos-e-alerta-para-violencia.html